Nas experimentações que estamos fazendo do corpo na cidade, temos pensado em duas coisas:
- perceber/reconhecer os padrões do espaço pelos sentidos do corpo (padrões visuais, sonoros, olfativos, gustativos e táteis) e utilizar esses padrões como estímulos para a pesquisa de movimentos;
- subverter esses padrões do espaço e também os padrões do corpo na relação com os espaços.
Esses pontos tem nos levado a gerar ações corporais que tratam/apresentam uma inadequação do corpo à cidade, um desencaixe entre o corpo e os espaços urbanos. Um corpo que se debate com a cidade, ao mesmo tempo que gruda nela, que busca se encaixar, mas vai se deformando, entortando e modificando. O trecho de Heráclito que trata de um homem bêbado conduzido pela mão por um rapaz imberbe, se reflete em uma corporeidade que cai, que tropeça, que não se sustenta em pé e que não segue o padrão anatômico, ereto e civilizado do ser humano/urbano.
Hoje, na aula, o Marcus falou sobre deformar a percepção, no sentido de modificar o modo de perceber as coisas. Na pesquisa de mestrado que desenvolvo investigo a construção do que tenho chamado de "corpo-desviante", que se dá nas experimentações performáticas que faço em espaços urbanos. A construção desse corpo vem de um vontade de gerar outros modos de relação com o corpo e os espaços arquitetônicos e urbanos e de modificar/deformar as formas do corpo e do espaço a partir dessas relações.
No ensaio de hoje (24/05/2017) experimentamos a Área das árvores, localizada atrás da Faculdade de Educação. Esse é o segundo espaço do nosso trajeto. Como disse, a proposta é que ocorra uma caminhada coletiva que vai do Jardim da Faculdade de Educação até o Centro de Excelência em Turismo. Os participantes da caminhada serão convidados a ampliarem a atenção para os sentidos corporais na relação com os espaços por onde passarem e também a experimentarem e comporem com os espaços, se assim desejarem.
A caminhada alterna andanças e paradas. Durante as andanças, serão propostas algumas ações coletivas, para serem realizadas pelos participantes da performance. Ações simples que envolvam equilíbrio e/ou dispositivos que levem a atenção dos participantes para o próprio corpo e para os sentidos.
Durante as paradas ocorreram composições de movimento com os espaços, realizadas pelos performers. Essas composições visam revelar e subverter a percepção dos padrões do corpo e do espaço e também estimular os participantes da caminhada a comporem com os espaços.
Os vídeos estão carregando e já posto os links.
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