Caminhadas pela cidade
1º Ensaio: 04/07/2017
Fotos das
experimentações: Lugares e Ações:
1. Lugar: Atrás do Prédio de Artes
Cênicas / Ações: Desbarrancar, rolar rampa abaixo, em contato com a terra e com
as paredes, corpo entre paredes.
2. L: Passagem próxima ao Prédio de
Artes Cênicas/ A: Deitar e rolar a partir da sensações provocadas pelo contato
da grade com a pele, pela delimitação do espaço do corredor e pelas plantas ao
lado.
3. L: Lateral do Prédio de
Artes Cênicas, chão gradeado / A: Correr sem sair do lugar, enrijecer, balançar
com os pés na grade e produzir sons.
4. L: Em frente ao Núcleo de Dança
(entre o Núcleo e o Departamento de Música) / A: Ocupar a sombra, dançar a luz
sobre o corpo, aparecer e esconder.
5. L: Ao lado do prédio de Artes Cênicas
/ A: Pendurar-se na árvore
Levantamentos:
Luis: Diferença entre o espaço mais próximo da Avenida, mais barulhento e com maior movimento de carros e ônibus, e o espaço da rua lateral que corta essa rua que vem da Avenida (L2) e que fica na lateral do prédio do Departamento de Artes Cênicas.
Raoni: Em alguns momentos a ação era mais de se colocar no
espaço e ficar ali (sentado ou deitado). Perceber que aí já há movimento, tanto
a ação de sentar, deitar, parar, quanto os micromovimentos que estão ocorrendo
no corpo a partir desse contato com o espaço. Nesses momentos parece que a
sensação desse contato com o espaço já me preenche, sem que eu tenha
necessidade de fazer outras coisas.
Luis: O espaço mais afastado da avenida era mais silencioso,
se sentiu mais calmo, percebeu que estava incomodado com o som da rua.
Lembrou-se do quintal da infância, “a chácara”, onde passávamos nossas férias e
brincávamos quando erámos crianças. Sentiu um espaço de contemplação, um banco
de madeira embaixo de uma árvore de copa larga. Deitou-se e olhou pra cima.
Raoni: -- Deitamos, um em cada banco. Senti o corpo pesado,
outro tempo, partes do corpo pesando e caindo do banco, braços. O céu,
entrecortado pela copa da árvore, azulll e a lua. Depois cai minha cabeça do
banco indo para o chão. Olhar invertido, ver o mundo de cabeça pra baixo, pelo
menos uma vez por dia! Inversão da perspectiva pode ser mais investigado, para
criar as ações e também para mudarmos a relação dos caminhantes-participantes
com os espaços durante a caminhada-performance.
Raoni: Percebi que as improvisações com o espaço precisavam,
em alguns momentos, de uma duração maior. Ficar ali, insistir em algumas
coisas, passar mais tempo em contato com algum estímulo. E que, com o passar do
tempo improvisando íamos mudando de ações, o que me levou a pensar: que ações
fazemos em cada espaço? Quais as qualidades/especificidades de cada ação?
Quanto tempo durava cada uma? O que nos levava a mudar de ação?
Por um lado quero abrir e ampliar as possibilidades de
experimentações, sem restringir a pesquisa e criação, por outro, tenho alguns
pontos já pensados (os três fragmentos de Heráclito e a ideia da performance
como uma caminhada por alguns espaços pela cidade).
Penso também em ações que contraponham a ideia de um corpo
civilizado, organizado, urbanizado, como: cair, tropeçar, escorregar
(escorregar numa casca de banana), babar. Ações tidas como vergonhosas, ou
ações não esperadas, nem previstas ou “permitidas” para um contexto.
Lugares e ações experimentados:
à Parede de azulejos lateral do prédio
de Artes Cênicas (Vídeo 1):
- Luis:
- Chão gradeado.
- Azulejos ao fundo como painel de luzes da cidade, carros
passando.
- som de carros e motos passando.
- Luis: Nós dois improvisamos com grades de ferro, em momento
diferentes. Mas as espacialidades eram bem distintas. O Raoni em uma área mais
fina, estreita, uma grade mais fina também, deitado e rolando partes do corpo
para um lado e outro. Eu em uma área mais ampla, uma grade mais grossa, e enfiando
os espaços entre as grades. Eu mais focado no balanço da grade no chão com o
balanço do corpo e no som que fazia.
Raoni: Percebi que os seus dedos enfiados na grade provocaram
uma corporeidade, um estado que essa sensação dos dedos provocou no corpo todo,
isso foi interessante, no sentido de que trouxe aquele espaço pro corpo.
Luis: Os dedos era do nojo de enfiar os dedos ali na grade.
“A gente não fica enfiando o dedo assim nas coisas em casa, no dia-a-dia”.
Raoni: Pensei que cada uma dessas ações tem uma qualidade
específica, ou um princípio de movimento que podemos investigar mais e que cada
uma dessas ações parece surgir de algum elemento ou característica que salta em
nossa percepção a cada momento.
Poeira e pó, contato
com a terra, seca, na boca, areia na boca. Enquanto movo em contato com a
terra, vou secando a pele ao mesmo tempo que vou umedecendo, enquanto suo. O
seco umedece e o úmido seca.
à Fundo do Departamento de Artes Cênicas, porta do Teatro Helena Barcelos (Fotos):
- Raoni:
- escada verde, rampa de terra na lateral em formato de
corredor, níveis de espaço. Parte de concreto, parte de terra, parte de ferro
da escada.
- corpo retorcido para diferentes direções. Corpo
entrecortado para caber e ocupar o espaço da rampa de terra. Nível abaixo do
asfalto, os carros passando sobre a cabeça.
- jogo das pernas utilizando um ponto de vista. Partes do
corpo sob os azulejos. Querer grudar no espaço.
à Espaço das árvores (“floresta”) (Vídeo 2):
- Luis:
- escuridão. Sombrio.
- atmosferas.
- sombras e luzes no chão.
- Aparecer e esconder, misturar-se com a escuridão.
à Espaço do Anfiteatro (próximo ao Departamento de Música):
- pessoas, receio de se aproximar. Fomos mais lento, mais
entrando no espaço aos poucos.
- medo do medo que pode gerar nos outros. Medo de acharem que
estou passando mal (medo de causar preocupação no outro, de atrapalhá-lo). Medo
de acharem que eu possa fazer algum mal.
- Clarão após escuro.
- Quadrado de luz forte. Depois de ficar um tempo na
escuridão, o espaço parece uma caixa de luz branca que ofusca e brilha.
- caminhamos apressadamente passando bem próximo as paredes
do espaço, às vezes nos cruzando, às vezes não, pois eram cerca de 4 paredes e
em cada momento estávamos passando por uma delas. Parecia que estávamos em uma porta
giratória sem fim.
- Paredes iguais, com intervalos iguais e brancas.
- Ações: passar, atravessar, andar de um lado pra outro, escorregar
na parede e da parede, e apoiar, apoiar escorregando. Deslizar partes do corpo
na parede e chão.
Materiais que fomos encontrando pelo caminho:
- Sacola de papel de sanduíche do Mc Donald´s amassada.
- Pedaço de ferro pesado e enferrujado que encaixava no pé e
no antebraço.
- pedaço de arame fino e leve.
- sacolas de plástico do mercado Big Box.
Lugares possíveis para filmar:
(Alguns vídeos curtos serão projetados em alguns dos espaços
do trajeto)
- Em frente para a lateral do prédio de Artes Cênicas: por
ser todo de vidro, no fim da tarde aparecem muitos espelhamentos, na lateral do
prédio. Pode ser interessante gravar nós só andando. Filmarmos o vidro e a
pessoa refletida passando e dançando.
- Caixa branca de luz e paredes (Próximo ao Departamento de
Música): dependendo do ângulo, as paredes parecem juntas e não dá para ver o
espaço entre elas e, assim, não daria para ver de onde vem o corpo, só os
corpos, partes deles aparecendo ou sumindo nas paredes.
- Trilhas do/no chão (diferentes linhas que se pode seguir
pelo chão, inventando um trajeto): gravar caminhando olhando pro chão, seguindo
trilhas diferentes e fazendo paradas para mostrar objetos compridos e altos
(caminho do olhar do chão ao céu), por exemplo, um poste, uma sombra comprida
projetada na grama e continuando no muro de metal, uma árvore.
- Mar de carros, caminhar com a câmera em um estacionamento
cheio na UnB, entre os carros de modo que só se veja os carros e as trilhas
entre eles. Fechar o quadro para ver somente carros.
Pontos a pensar:
- já será noite.
- Ações de deitar, ficar agachado, esfregar os sapatos na
superfícies (de ferro, de terra, de pedra, de terra e pedra, de grama, de
asfalto, de folhas secas). Como a ação dos pés afeta o corpo todo? Como
ressaltar esses sons dos passos? Pensei em experimentar diferentes marchas:
caminhar batendo os pés no chão, algum dispositivo para caminharmos mais lento,
ou mais atentos as sonoridades.
- Base de ferro que encaixava no sapato e no antebraço.
Podemos ir compondo uma figura ao longo do caminho, com objetos da rua, ou
objetos que façam parte da caminhada. Pé de ferro faz barulho arrastando no asfalto,
interessante.
- Foi interessante dançar com as coisas que estávamos
carregando e com as que fomos encontrando, esse ser que carrega coisas
penduradas no corpo.
- Ações que impliquem um uso dos apoios. Ações como apoiar,
se deslocar encostado nas coisas com o peso do corpo nas coisas.
- caminhar num mesmo trajeto várias vezes, mudando pequenas
trajetórias. Uso da repetição para evidenciar os padrões.
- ações: eu rolando num espaço estreito sem sair dele; Luis
cavalgando com as pernas (dando coices) nos quatro apoios sobre a grade de
ferro); nós dois pendurados nos bancos de madeira, caindo e ficando de ponta
cabeça.
- secura da terra, coceira da grama, umidade do suor, corpo
em ação.
- pensei em esmiuçarmos mais os lugares, a partir dos
elementos específicos de cada espaço e dos estímulos que chegam aos sentidos do
corpo.
- e também, de ir agregando as ações e sensações
experimentadas em um espaço até segmentar mais o corpo nessas ações e
sensações. Ir incorporando as espacialidades de um mesmo lugar e ao mesmo tempo
compondo um corpo de retalhos, a partir desses espaços que incorpora.
- cada espaço parece ter uma certa regularidade de alguns
elementos, muitas vezes é a superfície, o chão de terra, ou revestido de pisos,
ou as árvores, ou paredes, ou pilastras, vasos de flores. O que define um
espaço? Um certo enquadramento do olhar, um modo de ver em um recorte espacial
uma composição, que, de algum modo, o evidencie como um lugar. Por isso o
espaço é um conjunto heterogêneo de fragmentos, diferentes espacialidades que
se justapõe. E, se pensarmos nos múltiplos estratos de tempo que se adensam
para a formação de um espaço, desde as vidas que atravessaram esse espaço ao
longo de todo processo de transformação dele, até os tratamentos e usos dados a
terra, passando pelas fundações e sedimentações de concreto, e pelas reformas e
modificações de uma construção física.
Sermos mais objetivos:
- definir um trajeto e espaços específicos para nos
aprofundarmos. Que saia do Departamento de Artes Cênicas ou que chegue no
Departamento de Artes Cênicas, ou que saia de lá e volte pra lá.
- em quinze minutos quantos lugares dá para passarmos? 4 ou 5
no máximo
- estudar as camadas do espaço: que lugar é esse, feito de
que material, como é definido social e culturalmente, como é utilizado no
dia-a-dia, quais os padrões visuais, sonoros que apresenta?
- talvez ir e voltar pelo mesmo caminho.
Ideias para a caminhada coletiva:
(Ações propostas para o grupo da caminhada)
Resolvi retirar esta parte do texto porque algumas ideias que tenho pensado dependem da surpresa de não se saber o que irá ocorrer, mas ao mesmo tempo fico sem conseguir compartilhar com vocês...
Percebo três roteiros que se unem: um roteiro da caminhada e de jogos e ações na caminhada em grupo, o grupo como um espaço; um roteiro das ações que eu e Luis proporemos em alguns espaços; e um roteiro dos vídeos curtos que irão compor a performance através de projeções.
Percebo três roteiros que se unem: um roteiro da caminhada e de jogos e ações na caminhada em grupo, o grupo como um espaço; um roteiro das ações que eu e Luis proporemos em alguns espaços; e um roteiro dos vídeos curtos que irão compor a performance através de projeções.
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