quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pensamentos sobre planos de composição

De uma conversa que tive com a Erika na semana passada, algumas coisas me surgiram hoje, voltando da última aula da turma. Pensei sobre planos de composição, pode parecer bobo, mas pra mim foi um insight. Eu e Erika conversamos sobre a relação entre perspectivas da visão e a experiência da percepção. Ela me falou sobre a diferença de se olhar algo a partir de diferentes angulações, diferença que modifica a percepção que temos de algo, modifica a própria experiência corporal de quem vê. Pensando então nos níveis do espaço, a partir dos pensamentos de Rudolph Laban, teríamos os níveis alto, médio e baixo. Chegamos nesse assunto porque durante uma primeira experimentação que fiz como parte desse processo criativo, a partir da apresentação de uma ação poética realizada como parte de uma outra disciplina no mestrado, que consistia em uma performance em deslocamento, em caminhada, uma andada, uma andança, em um trajeto que passava por alguns espaços da Universidade de Brasília, com os quais eu me relacionava a partir de algumas ações corporais. Dessa performance, a Erika me disse que meu corpo funcionava como um dispositivo de percepção do espaço e que os lugares que eu ocupava em cada espaço, apontava o olhar para estes outros níveis do espaço. Pensando nisso, voltando pra casa hoje, passei a obsrvar tudo como um plano de composição: comecei a olhar a paisagem em seus níveis. A Erika me disse que estava fazendo aulas com a professora Karina Dias, na UnB, e que ela havia falado sobre a divisão dos níveis em uma paisagem a partir do olhar (pelo menos foi o que eu entendi), sobre olhar a paisagem como um quadro e perceber quanto de "cada elemento" (céu, asfalto, grama, por exemplo) aparece nesse plano de composição. Passei a pensar em fotografar diferentes espaços com diferentes proporções e distribuições dos elementos nos níveis do espaço. Pensei também em fazer isso com a imagem do corpo.
Ao ver um conjunto em sequência de placas de trânsito em uma curva >>>>>>>, fiquei pensando em fotografar mãos, uma em sequência da outra com pequenas mudanças, ou diferentes mãos, ou pés.
Outra imagem que me veio foi o modo como os elementos de cada elemento estão dispostos em cada nível, por exemplo, no nível preenchido de asfalto, vão se acumulando um, dois, três, quatro, cinco carros e assim sucessivamente, até que o plano de asfalto é sobreposto pelos carros, o plano entra em saturação de elementos, gera um outro nível.

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